Castanhas, montanhas, música abbruzzese e dança de quadrilha
Não poderia ter tido maior fortuna do que acompanhar um dia de campo dos alunos do VAPRAQ (Valorização dos Produtos Agroalimentares de Qualidade), curso que ocorre pelo convênio entre a UFSC, a Universidade de Teramo e o Slow Food.
O que seria uma “simples” visita a coletores de castanha acabou em muita música popular de Abruzzo (a região da Itália onde estávamos), com umas pitadas de samba e até mesmo uma quadrilha de São João.
O caminho até o distrito de Leofara, na Villa Castellana, por si só já foi um espetáculo. Uma estrada muito estreita vai subindo as montanhas, ao longo do Parque Nacional do Gran Sasso e do Monte da Laga, e a cada curva uma explosão de cores salta às retinas.
Os picos nevados foram outra dádiva: era o primeiro dia de outono em que eles estavam daquele jeito!
Em Leofara visitamos a cooperativa ARE, de coletores de castanha e marone, que é quase igual, mas um pouco mais saborosa segundo os entendidos. Andamos nos belos bosques nativos onde se faz a coleta. O fruto é uma bola de espinhos, e só com mãos calejadas para manejá-lo sem se dar mal. Eles caem e o povo vai catando, separando as castanhas e enchendo o balde.
Depois fomos à cantina da cooperativa degustar uns pratos à base de castanha. Vinho, muito vinho, e até aí tudo na mais completa normalidade.
Mas eis que surgem dois músicos, um com acordeon e outro com um instrumento que não me recordo o nome. Começam a tocar e os brasileiros vão dando corda, a cada breve intervalo abastecem-se de vinho, e a coisa começa a esquentar. Então a Alessandra, que até então era somente a garçonete e filha do dono da cantina, resolve abrir o gogó, para surpresa geral. Timbres poderosos invadem o ambiente, levando todos ao delírio.
Quando tudo estava prestes a acabar, peguei um pandeirão e puxeu uns sambas. Pronto, foi a deixa pra tudo recomeçar. Os músicos reanimaram, mais um pouco de vinho, e a festa continuou do lado de fora da cantina. Neste momento eu já estava completamente apto a acompanhá-los, com pandeiro, nos ritmos da Pizzica, Tamurriata e Saltarella, pura música popular abruzzesa.
Alessandra então organiza o baile e inicia todos na dança típica. Ninguém mais ficava parado. O vinho secava e o corpo suava. Quem foi que disse que ginga é apenas dom de brasileiro? Neste momento um dos músicos, enamorado de uma das alunas do VAPRAQ, ajoelhou-se perante a bela desfiando seu acordeom em tons de paixão. Romance geral…
Tudo terminou com uma bela quadrilha, proposta pelos anfitriões. Igualzinho às nossas danças juninas!
Adeus Abruzzo, quem sabe um dia eu volte para desvendar outros mistérios de suas fantásticas montanhas!





Prezado Fernando,
Gostei muito da sua reportagem sobre a visita ao castanhedo. Você descreveu com muita propriedade o ambiente local.
Obrigada.
Se tiveres mais fotos do passei ou divulgação de algum evento no Brasil, por favor me envie.
Um abraço,
Sayonara